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Carteira de Identidade Nacional (CIN): como tirar a sua

Carteira de Identidade Nacional: a primeira CIN é gratuita, usa o CPF como número e se pede no órgão do seu estado. Veja o que levar e até quando o RG vale.

Ilustração de uma mulher de meia-idade, de cabelo escuro e cacheado, sorrindo à mesa e segurando um cartão em branco, com um celular em pé ao lado e uma planta em um vaso amarelo ao fundo
Por Jefferson Luiz Publicado em
Neste artigo 10 tópicos
  1. Carteira de Identidade Nacional: o que é
  2. O RG antigo ainda vale?
  3. Quem precisa da CIN antes de 2032
  4. Quanto custa a CIN
  5. Quais documentos levar
  6. Como tirar a CIN passo a passo
  7. CIN digital no aplicativo gov.br
  8. Criança, idoso, pessoa com deficiência e nome social
  9. Cuidado com golpe na nova identidade
  10. Em resumo
Resposta rápida

A Carteira de Identidade Nacional (CIN) substitui o antigo RG (Registro Geral) e usa o CPF (Cadastro de Pessoas Físicas) como número único, segundo o Governo Digital. Pela Lei nº 7.116, a primeira emissão é gratuita. Você agenda no órgão de identificação do seu estado e leva a certidão de nascimento ou de casamento. Pelo decreto que criou a CIN, o RG antigo vale por dez anos a partir de março de 2022, mas quem recebe ou vai pedir benefício do governo federal tem prazos antes disso.

Este artigo foi feito a partir das páginas oficiais do Governo Digital, a área do governo federal que cuida dos serviços digitais, sobre a Carteira de Identidade Nacional, as dúvidas frequentes sobre a CIN, o cadastro biométrico para benefícios sociais e onde emitir, do Decreto nº 10.977/2022, do Decreto nº 12.561/2025, da Lei nº 7.116/1983 e das páginas de serviço de Minas Gerais e de São Paulo. Os links completos estão no fim do texto.

Carteira de Identidade Nacional: o que é

É o novo modelo da carteira de identidade, o documento que prova quem você é. A grande mudança é o número. Antes, cada estado dava um número de RG diferente. A página oficial informa que uma pessoa podia ter até 27 carteiras, uma por estado. Segundo o Governo Digital, a CIN usa o número do CPF, que é um só no país inteiro.

Segundo o Governo Digital, a CIN existe em três formatos:

  • papel, o modelo que os estados emitem;
  • cartão, de um plástico resistente chamado policarbonato, que só alguns estados oferecem;
  • digital, no aplicativo gov.br.

A CIN tem um QR Code, aquele quadradinho de pontos que o celular lê, para conferir se o documento é verdadeiro. Segundo a página oficial, ela pode ser aceita nos países com que o Brasil tem acordo de viagens, como os do Mercosul. Nos outros países, ela não substitui o passaporte.

Pelo Decreto nº 10.977/2022, a validade da CIN depende da idade de quem tira:

Idade quando tira a CIN Validade
De 0 a 11 anos 5 anos
De 12 a 59 anos 10 anos
60 anos ou mais Sem prazo de vencimento

O RG antigo ainda vale?

Vale, por enquanto. O artigo 25 do Decreto nº 10.977/2022 diz que as carteiras do modelo antigo continuam válidas por dez anos, contados da data em que o decreto entrou em vigor, que foi 1º de março de 2022. O Governo Digital resume assim: o RG antigo “pode ser utilizado até 2032”.

As datas exatas que circulam variam. A página do governo de Minas Gerais fala em 23 de fevereiro de 2032, e reportagens citam 28 de fevereiro de 2032. O decreto não escreve um dia exato. De todo jeito, não deixe para a última hora.

Quem tinha 60 anos ou mais em 1º de março de 2022 não perde o RG antigo. Pelo parágrafo único do mesmo artigo 25, a carteira dessa pessoa tem validade indeterminada, ou seja, não vence. O Governo Digital lembra que você pode pedir a CIN a qualquer momento, se quiser.

Quem precisa da CIN antes de 2032

Quem recebe ou vai pedir benefício pago pelo governo federal. O Decreto nº 12.561/2025 exige o cadastro biométrico para conceder, manter e renovar benefícios da seguridade social da União, isto é, do governo federal. Cadastro biométrico é o registro das suas impressões digitais e da foto do rosto numa base do governo, para provar que é você mesmo. Segundo o Governo Digital, isso vale para os programas sociais e para os previdenciários, que são os benefícios pagos pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), como aposentadorias e pensões.

O decreto diz que a base principal é a da CIN. Por um tempo, ele aceita também as bases da CNH (Carteira Nacional de Habilitação, a carteira de motorista), da Polícia Federal, que emite o passaporte, e da Justiça Eleitoral, onde fica a digital do título de eleitor.

A página principal da CIN resume assim: sem nenhuma biometria, a CIN passa a ser obrigatória em janeiro de 2027; com biometria da CNH ou do título, em janeiro de 2028.

Segundo as dúvidas frequentes do Governo Digital, desde 1º de maio de 2026 a concessão, a manutenção e a renovação de benefícios sociais dependem de cadastro biométrico. O que muda com o tempo é qual biometria serve. O cronograma completo, pela mesma página:

  • Já tem a CIN: o cadastro é aceito a qualquer momento.
  • Tem biometria na CNH, no título de eleitor ou no passaporte, feita até 31/12/2026: pode usar até 31/12/2027.
  • Vai fazer biometria pela CNH, título ou passaporte a partir de 01/01/2027: não serve para benefício. Precisa tirar a CIN.
  • Não tem biometria em nenhuma base: até 31/12/2026, pode fazer pela CNH, título, passaporte ou CIN. A partir de 01/01/2027, só pela CIN.
  • Qualquer pessoa, a partir de 01/01/2028: só a biometria da CIN é aceita.

A página “Beneficiário Social”, do Governo Digital, avisa que não haverá bloqueio automático de benefícios ativos, ou seja, dos que já estão sendo pagos, e que a exigência será gradual.

Quem está dispensado, por enquanto. Segundo o Governo Digital, com comprovação, não precisam do cadastro biométrico:

  • pessoas com mais de 80 anos;
  • migrantes, refugiados e apátridas (pessoas sem nacionalidade reconhecida);
  • quem mora no exterior;
  • quem não pode se deslocar por causa da saúde ou de deficiência, com atestado médico que diga isso;
  • quem mora em localidade de difícil acesso.

A lista de documentos aceitos está na página de dispensa.

Se você recebe benefício do INSS, veja também como entrar no Meu INSS e como consultar o seu benefício sem erro.

Quanto custa a CIN

A primeira emissão é gratuita. Quem diz é a Lei nº 7.116/1983: “É gratuita a primeira emissão da Carteira de Identidade”. Pelo decreto da CIN, quem tem o RG antigo e tira a CIN também faz a primeira emissão, então não paga.

O que pode ser cobrado:

  • Modelo em cartão: segundo o Governo Digital, tem custo para o cidadão.
  • Segunda via: quando você perde o documento ou pede mudança de dados. As páginas federais consultadas não informam valor; quem informa é o estado. Em Minas Gerais, a página do governo estadual cobra R$ 115,80, valor que vale só para Minas. Confira na página do seu estado.

Quais documentos levar

O Decreto nº 10.977/2022 diz que o órgão só pode exigir a certidão de nascimento ou de casamento, em papel ou digital, e proíbe exigências que não estejam no decreto. Qual das duas certidões levar depende do seu estado civil, e cada estado explica do seu jeito.

Em São Paulo, o Poupatempo pede a certidão do estado civil atual:

  • Solteiro: certidão de nascimento.
  • Casado, separado, divorciado ou viúvo: certidão de casamento, com a averbação do estado civil atual. Averbação, explica o Poupatempo, é a anotação que o cartório faz na própria certidão quando o estado civil muda, como numa separação ou num divórcio.

Em Minas Gerais, a página do governo estadual aceita também a certidão de nascimento com a averbação do casamento, para quem casou e não mudou o nome, ou com a averbação do divórcio, para quem é divorciado.

Leve também:

  • Número do CPF, se você já tem. Se não tem, o decreto manda o próprio órgão fazer a inscrição. Minas Gerais e São Paulo pedem o número do CPF na página de serviço.
  • Brasileiro naturalizado: certificado de naturalização.

A página de Minas Gerais pede a certidão legível, sem rasgos nem rasuras (riscos ou emendas no papel). São Paulo pede, além do original, uma cópia simples. Cada estado pode ter detalhes próprios. Leia a página do seu antes de ir.

Se quiser que a versão digital da CIN mostre outros números, o Governo Digital orienta a levar estes documentos no dia: título de eleitor, CNH, carteira de trabalho e NIS (Número de Identificação Social, o número que identifica você nos programas sociais).

Como tirar a CIN passo a passo

  1. Abra a página “Onde emitir”, do Governo Digital. Ela tem o link oficial de agendamento de cada estado e do Distrito Federal. Quem emite são os órgãos de identificação civil dos estados, como o instituto de identificação ou a Polícia Civil. Em São Paulo, por exemplo, o link leva ao Poupatempo, a central de atendimento do governo paulista.
  2. Agende o atendimento no site ou aplicativo do seu estado.
  3. Separe os documentos da seção anterior.
  4. Vá ao local no dia e hora marcados. O atendimento é presencial porque lá são coletadas as digitais e a foto. Minas Gerais e São Paulo informam que a foto é tirada na hora. Em Minas, menores de 16 anos vão com o pai, a mãe ou o responsável legal.
  5. Receba ou retire o documento. O prazo e a forma de entrega mudam por estado. Minas Gerais informa entrega em até 15 dias úteis (sem contar sábados, domingos e feriados), pelos Correios, quando disponível. São Paulo informa que a carteira fica pronta em até 26 dias úteis.

Segundo o Governo Digital, você não precisa tirar a CIN no estado onde nasceu ou onde mora. A segunda via pode ser feita em qualquer estado.

CIN digital no aplicativo gov.br

A versão digital só aparece depois que você recebe a CIN física, segundo o decreto. Para ver no celular, o Governo Digital informa que você precisa de uma conta gov.br nível prata ou ouro, os níveis mais seguros da conta, e de abrir a opção “Carteira de documentos” no aplicativo gov.br. Se a sua conta ainda é bronze, veja como subir a conta gov.br para prata ou ouro.

O Governo Digital avisa que não dá para ter os dois modelos físicos (papel e cartão) ao mesmo tempo. Só a última CIN emitida fica com o QR Code válido.

Criança, idoso, pessoa com deficiência e nome social

  • Criança e adolescente: segundo o Governo Digital, menores de 18 anos podem tirar a CIN, e para isso basta ter CPF.
  • Idoso: pelo decreto, a validade da identidade de quem tem 60 anos ou mais, ou está doente, não pode ser recusada por mudança na aparência ou na assinatura. Veja também os direitos garantidos pelo Estatuto da Pessoa Idosa.
  • Pessoa com deficiência: segundo o Governo Digital, a CIN pode trazer símbolos de deficiência física, visual, auditiva, intelectual e do autismo. Pergunte antes ao órgão do seu estado quais documentos levar.
  • Nome social, o nome pelo qual a pessoa se identifica e quer ser chamada: pelo decreto, é incluído a pedido escrito, sem exigir comprovação, junto com o nome do registro civil.
  • Informações de saúde: o decreto permite incluir, a pedido, tipo sanguíneo, a vontade de doar órgãos e condições de saúde que possam salvar a sua vida.

Cuidado com golpe na nova identidade

Desconfie de site, mensagem ou pessoa que cobre “taxa” para agendar ou liberar a sua primeira CIN. Esse é um cuidado deste blog, com base em duas regras: a lei garante a primeira CIN de graça, e o agendamento é feito pelo órgão de identificação do seu estado, segundo o Governo Digital.

Para não cair em site falso, entre pelo link do seu estado na página “Onde emitir” do Governo Digital, e não por anúncio ou link recebido por mensagem. Alguns endereços oficiais dessa lista não terminam em “.gov.br”, como os do Ceará e do Distrito Federal. Por isso, o caminho mais seguro é a lista. Para outros golpes comuns, veja como reconhecer o golpe do Pix e da falsa central.

Confirme no canal oficial

Este artigo explica as regras com base nas fontes oficiais citadas, mas quem decide o seu caso é o órgão responsável. Antes de tomar qualquer decisão, confirme:

  • Site: Carteira de Identidade Nacional, no Governo Digital, com a lista Onde emitir de cada estado; para benefícios, as dúvidas sobre o cadastro biométrico
  • Aplicativo: gov.br, na opção “Carteira de documentos”, para a CIN digital
  • Telefone: as páginas federais consultadas não informam um telefone nacional; use o canal informado pelo órgão de identificação do seu estado
  • Presencial: o órgão de identificação civil do seu estado (instituto de identificação, Polícia Civil ou central de atendimento indicada na lista do Governo Digital)

Em resumo

A CIN vale em todo o Brasil, e a primeira é gratuita. Para tirar, agende pelo link do seu estado na página “Onde emitir” do Governo Digital e leve a certidão de nascimento ou de casamento. O RG antigo vale por dez anos a partir de março de 2022, e quem tinha 60 anos ou mais naquela data fica com o RG sem vencimento. Se você recebe ou vai pedir benefício do governo federal e não tem biometria, o cronograma do Governo Digital dá até 31 de dezembro de 2026 para fazer pela CNH, título, passaporte ou CIN. Depois disso, só a CIN serve.


Fontes consultadas em 02/10/2026:

As datas e os valores podem ser alterados pelo governo. Em caso de dúvida, confira nos canais oficiais antes de tomar qualquer decisão.

Jefferson Luiz é o editor do Cidadão Descomplicado. Todos os artigos são escritos a partir de fontes oficiais e revisados antes da publicação. Veja a política editorial.