Golpe do Pix e da falsa central: como reconhecer e agir
Veja como funciona o golpe do Pix e o da falsa central, os sinais de alerta e o que fazer em seguida, segundo o Banco Central: avisar o banco em até 80 dias.
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No golpe do Pix, o criminoso faz você mesmo mandar o dinheiro, quase sempre com pressa e com medo. Na falsa central, ele se passa por funcionário do banco. Segundo a Febraban (a entidade que reúne os bancos), a regra é desligar na hora e ligar de outro telefone para o número que está atrás do cartão. Se o dinheiro já saiu, o Banco Central orienta avisar o seu banco o mais rápido possível, pelo aplicativo, em até 80 dias depois do Pix. O banco aciona o MED (Mecanismo Especial de Devolução), que bloqueia o dinheiro na conta de quem recebeu. O Banco Central avisa que o MED não garante a devolução.
Este artigo foi feito a partir das páginas do Banco Central sobre segurança no Pix e sobre quem foi vítima de golpe com Pix, das orientações antifraude da Febraban e de uma reportagem do Senado Verifica. Os links completos estão no fim do texto.
Como funciona o golpe da falsa central
Segundo a Febraban, o criminoso liga se passando por um funcionário do banco, ou de uma empresa com a qual você tem relação. Ele diz que a sua conta foi invadida, clonada ou que há outro problema. Depois, pede os seus dados pessoais e financeiros.
A Febraban descreve um truque que engana muita gente. O golpista pede que você desligue e ligue para a central do banco, no número que está atrás do cartão. Só que ele continua na linha. Você acha que está falando com o banco, mas fala com o criminoso, que pede os dados da conta, dos cartões e, principalmente, a sua senha quando você a digita.
Um aviso de conta invadida assusta. Por isso a orientação da Febraban é cortar a conversa na hora, sem tentar argumentar com o golpista.
Outros golpes que usam o Pix
O Pix é o sistema de pagamento instantâneo do Banco Central. Como o dinheiro sai em segundos, os golpistas gostam dele. Estes são os casos que as fontes oficiais descrevem:
- Pix “por engano”. Alguém diz que fez um Pix para você sem querer, mostra um comprovante (que pode ser falso) e pede o dinheiro de volta. O Banco Central manda conferir primeiro o seu extrato. Se o depósito existir, devolva pela função de devolução do Pix, que leva o dinheiro de volta à mesma conta. O Banco Central alerta para não aceitar devolver em uma conta diferente, porque pode ser golpe: o golpista tenta receber duas vezes, o seu dinheiro e o que o banco devolve a ele.
- Falsa venda. Segundo a Febraban, os criminosos usam sites de loja falsos, promoções enviadas por e-mail, SMS e WhatsApp e perfis de loja nas redes sociais. Os sinais de alerta citados pela Febraban são estes: preço muito abaixo do normal (a entidade dá o exemplo de um produto de R$ 1.000 vendido por R$ 300), poucas formas de pagamento e perfil de loja recém-criado.
- WhatsApp clonado. Segundo a Febraban, o criminoso tenta cadastrar o seu número em outro celular e precisa do código de segurança que chega por SMS. Ele pede esse código com uma desculpa, como “atualização do sistema”. Com a conta clonada, escreve para os seus contatos pedindo dinheiro por Pix. A Febraban recomenda nunca passar o código, ligar a verificação em duas etapas do WhatsApp e confirmar por outro meio quando um contato pedir dinheiro.
Sinais de alerta
Os golpes descritos acima têm em comum o pedido de dinheiro, de senha ou de código. Desconfie se alguém:
- ligar dizendo que é do banco e pedir senha, dados do cartão ou dados da conta;
- pedir que você mande dinheiro para uma “conta segura” ou devolva um Pix em outra conta;
- pedir o código de segurança que chegou por SMS;
- vender muito abaixo do preço normal, em perfil ou site que você não conhece;
- disser que a sua conta foi invadida ou clonada e pedir que você aja agora, por telefone ou mensagem.
Em dúvida, pare. Desligue, feche a conversa e procure o banco pelo aplicativo ou pelo número que está atrás do cartão.
O que fazer se você caiu no golpe do Pix
O Banco Central explica, na página de segurança do Pix, o caminho que deve ser seguido. Quanto mais rápido, maiores as chances de recuperar o dinheiro.
- Abra o aplicativo do seu banco e conteste o Pix. Segundo o Banco Central, todas as instituições devem oferecer essa função no aplicativo. O Senado Verifica acrescenta que, se o aplicativo não resolver, dá para ligar para o SAC ou para a Ouvidoria do banco. Anote o número do protocolo do atendimento.
- O banco aciona o MED. O Banco Central informa que o banco da vítima registra o caso na hora, e o banco de quem recebeu o dinheiro bloqueia os valores na conta do suposto golpista.
- Registre um Boletim de Ocorrência (BO). O BO é o registro do caso na polícia. O Banco Central diz que é “recomendável” fazer isso em paralelo ao aviso ao banco. O Senado Verifica o trata como “indispensável” e informa que, em alguns estados, pode ser feito pela internet. Como as duas fontes concordam que vale a pena, faça o BO.
- Se não resolver, reclame. O Banco Central indica procurar o Procon do seu estado ou a Justiça, ou registrar uma reclamação no próprio Banco Central. Segundo o Banco Central, o banco que recebeu o dinheiro é avisado e passa a monitorar a conta. O Senado Verifica esclarece que o Banco Central não resolve casos individuais, mas usa as reclamações para fiscalizar os bancos. Se quiser entender como funciona uma reclamação no Procon, veja este guia sobre o Procon e o consumidor.gov.br.
Quanto tempo leva
| Etapa | Prazo informado pelo Banco Central |
|---|---|
| Para você pedir a devolução ao banco | até 80 dias depois do Pix |
| Para os dois bancos avaliarem o caso | até 7 dias corridos |
| Para devolver, se a fraude for comprovada | até 96 horas, contadas do fim da avaliação |
Um exemplo com a conta feita pelo blog: você avisa o banco numa segunda-feira. Os bancos têm até a segunda-feira seguinte (7 dias corridos) para avaliar. Se confirmarem a fraude, a devolução pode levar até 96 horas (4 dias) a mais, ou seja, até a sexta-feira. São no máximo 11 dias, segundo os prazos do Banco Central.
O MED devolve todo o dinheiro?
Não há garantia. A página do Banco Central diz: “O MED não garante a devolução”. Segundo o Banco Central, se a fraude for confirmada, o valor pode ser devolvido por inteiro ou em parte, dependendo de haver saldo na conta do golpista ou de outros envolvidos. Se o criminoso já gastou ou transferiu o dinheiro, pode sobrar menos para devolver. Por isso a pressa importa.
O Banco Central lista três situações em que o MED não se aplica:
- Desacordo comercial: você comprou de uma loja de verdade, mas o produto chegou diferente ou atrasado, por exemplo. Segundo o Banco Central, quando o vendedor de boa-fé envia o produto errado, isso não é suspeita de fraude. O Banco Central cita como diferente o caso em que o produto sequer é enviado, que não é tratado como desacordo comercial.
- Dinheiro enviado a alguém que não participou do golpe: o Banco Central chama de “terceiro de boa-fé”.
- Pix errado: você fez um Pix e não conferiu o nome, e o dinheiro foi para outra pessoa.
Antes de confirmar qualquer Pix, leia o nome de quem vai receber. É a conferência mais simples e o Banco Central a recomenda no guia técnico do MED.
Como se proteger antes de cair
- Desligue e confirme. Esta é a orientação da Febraban para a falsa central. Use sempre o número do verso do cartão ou o aplicativo do banco.
- Não passe senha, código de SMS nem dados do cartão a quem ligou ou mandou mensagem. A Febraban trata o código do WhatsApp como o dado mais importante a proteger.
- Confira o nome do destinatário do Pix antes de confirmar.
- Veja as suas contas no Registrato. O Banco Central indica o Registrato, um serviço do Meu BC (a área do cidadão no site do Banco Central), para ver em quais bancos você tem conta e quais chaves Pix existem em seu nome. Se aparecer algo desconhecido, fale com o banco.
- Ative o BC Protege+. Segundo o Banco Central, ele ajuda a impedir que abram contas falsas no seu nome. A ativação é feita no Meu BC.
- Proteja também a sua conta gov.br, que dá acesso a vários serviços do governo. Veja como criar e proteger a conta gov.br.
O Senado Verifica lembra que o Banco Central também endureceu regras: celular não cadastrado no banco tem limite menor para Pix até ser autenticado, e há limites diferentes entre 20h e 6h. Consulte o seu banco para saber os valores.
Este artigo explica as regras com base nas fontes oficiais citadas, mas quem decide o seu caso é o órgão responsável. Antes de tomar qualquer decisão, confirme:
- Site: Segurança no Pix, no site do Banco Central e reclamação contra bancos, no Meu BC
- Aplicativo: o aplicativo do seu banco, na área Pix, onde fica a função de contestar um Pix
- Telefone: 145, do Banco Central, em dias úteis, das 8h às 18h, segundo o Senado Verifica
- Presencial: delegacia de polícia, para o Boletim de Ocorrência, e Procon do seu estado
Em resumo
Segundo a Febraban, quem liga dizendo ser do banco e pede dados deve ser cortado na hora: desligue e ligue para o número do cartão, de outro telefone. Se já mandou o Pix, abra o aplicativo do banco e conteste, o mais rápido possível e em até 80 dias, segundo o Banco Central. Registre o Boletim de Ocorrência e guarde o protocolo. Se não resolver, procure o Procon, a Justiça ou o Banco Central. O MED ajuda, mas não garante a devolução.
Fontes consultadas em 2 de outubro de 2026:
- Banco Central do Brasil: Segurança no Pix
- Banco Central do Brasil: Vítima fez um Pix e caiu em um golpe, página atualizada em 7 de agosto de 2026
- Banco Central do Brasil: Guia de implementação dos procedimentos de devolução no Pix, com ênfase no Mecanismo Especial de Devolução (versão 4.3), documento técnico
- Senado Federal, Senado Verifica: Pix: fui vítima de golpe. Como recuperar meu dinheiro?, reportagem de Paula Cochrane, de 16 de abril de 2026
- Febraban: Golpe da falsa central de atendimento, de 21 de janeiro de 2025
- Febraban: Golpe Falsa Venda, de 4 de abril de 2025
- Febraban: Golpe do WhatsApp
A Febraban é a federação dos bancos, não um órgão do governo. Usamos as páginas dela para descrever como os golpes acontecem, e as do Banco Central e do Senado para os prazos e as regras. Sobre o Boletim de Ocorrência, o Banco Central o chama de “recomendável” e o Senado Verifica de “indispensável”: o artigo segue o Banco Central e recomenda fazê-lo.
As datas e os valores podem ser alterados pelo governo. Em caso de dúvida, confira nos canais oficiais antes de tomar qualquer decisão.
Jefferson Luiz é o editor do Cidadão Descomplicado. Todos os artigos são escritos a partir de fontes oficiais e revisados antes da publicação. Veja a política editorial.