O tradutor do sistema para quem está fora dele
Educação

Prouni: como funciona, quem tem direito e a nota do Enem

O Prouni dá bolsa de 100% ou de 50% em faculdade particular. Veja quem tem direito, o limite de renda por pessoa, a nota mínima do Enem e como se inscrever.

Ilustração de uma jovem de cabelo cacheado preso, sentada a uma mesa, anotando em um caderno ao lado de um notebook, com uma xícara, um celular, uma pilha de livros com um capelo de formatura e um prédio de universidade ao fundo
Por Jefferson Luiz Publicado em
Neste artigo 8 tópicos
  1. O que é o Prouni
  2. Quem tem direito ao Prouni
  3. Como é a seleção
  4. O Prouni tem cotas
  5. Bolsa Permanência: ajuda para quem tem bolsa integral
  6. Como me inscrever e quando
  7. Dúvidas comuns
  8. Em resumo
Resposta rápida

O Prouni é um programa do Ministério da Educação (MEC) que, segundo o MEC, dá bolsa de 100% (integral, você não paga a mensalidade) ou de 50% (parcial, você paga metade) em faculdades particulares. Para concorrer, o MEC exige que você tenha feito o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio, a prova nacional de quem termina o colégio) e tirado pelo menos 450 pontos na média das 5 notas, com a nota da redação (o texto que você escreve na prova) diferente de zero. Segundo o MEC, a renda da família é de até 1,5 salário mínimo por pessoa para a bolsa integral e de até 3 salários mínimos por pessoa para a parcial. Também é preciso ter cursado o ensino médio em escola pública (ou como bolsista integral em escola particular), ou ter deficiência. Segundo o MEC, a inscrição é grátis e só pela internet.

Este artigo foi feito a partir das páginas do Ministério da Educação (MEC) sobre o Prouni e as perguntas frequentes sobre o programa, da Lei nº 11.096, de 2005, que criou o programa, e do decreto que fixou o salário mínimo de 2026. Os links completos estão no fim do texto.

O que é o Prouni

É o Programa Universidade para Todos, criado em 2004. Segundo o MEC, ele oferece bolsas de estudo, integrais e parciais de 50%, em faculdades e universidades particulares, para quem ainda não tem diploma de ensino superior (o diploma de faculdade).

Na prática, quem tem bolsa integral não paga a mensalidade, e quem tem bolsa parcial paga só metade dela. Pela lei, as faculdades particulares que entram no programa se comprometem a oferecer essas bolsas. Os cursos e as vagas mudam a cada processo seletivo, segundo o MEC.

Um detalhe sobre as bolsas parciais: a lei antiga também falava em bolsa de 25%, mas o texto atual da lei (alterado em 2022) cita apenas a de 50%.

Quem tem direito ao Prouni

Segundo o MEC e a lei, para concorrer você precisa cumprir três coisas ao mesmo tempo: ter feito o Enem com nota suficiente, estar dentro do limite de renda e se encaixar em um dos perfis de escola ou de situação previstos na lei.

Nota do Enem

O MEC exige:

  • 450 pontos na média das 5 notas do Enem (as notas de linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e redação);
  • nota da redação maior que zero;
  • notas de uma das duas edições do Enem imediatamente anteriores ao processo seletivo.

Limite de renda por pessoa

Segundo o MEC, a renda considerada é a renda familiar bruta mensal por pessoa, a chamada renda per capita. “Bruta” quer dizer antes dos descontos. Para chegar nela, soma-se o que a família ganha por mês e divide-se pelo número de pessoas.

Tipo de bolsa Renda por pessoa Em reais (salário mínimo de R$ 1.621)
Integral (100%) até 1,5 salário mínimo até R$ 2.431,50
Parcial (50%) até 3 salários mínimos até R$ 4.863,00

Os limites da lei e do MEC são em salários mínimos. Por isso, os valores em reais mudam quando o salário mínimo sobe. Os de cima foram calculados com o salário mínimo de 2026 (o valor mais baixo que a lei permite pagar por mês a quem trabalha), de R$ 1.621,00, segundo o decreto que o fixou.

Exemplo de conta: uma família de 4 pessoas ganha, ao todo, R$ 8.000 por mês. R$ 8.000 ÷ 4 = R$ 2.000 por pessoa. Esse valor está abaixo de R$ 2.431,50, então a família ficaria dentro do limite da bolsa integral (os outros requisitos também precisam ser cumpridos). Se a renda fosse de R$ 12.000, daria R$ 3.000 por pessoa: já passaria do limite da integral, mas ainda caberia no limite da bolsa parcial. A mesma lógica de “renda por pessoa” aparece no BPC/LOAS, benefício do governo para idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, só que com um limite bem menor.

Escola e outros perfis

Segundo a lei e o MEC, a bolsa é para quem:

  • cursou o ensino médio completo em escola pública;
  • cursou o ensino médio completo em escola particular como bolsista integral (estudou sem pagar mensalidade);
  • cursou o ensino médio parte em escola pública e parte em escola particular, como bolsista integral ou, em outra regra, como bolsista parcial ou sem bolsa (com ordem de classificação diferente, explicada abaixo);
  • é pessoa com deficiência;
  • é professor da rede pública de ensino, para os cursos de licenciatura, normal superior e pedagogia (cursos que formam professores). Nesse caso, a lei diz que vale independentemente da renda.

Quem não pode: o Prouni é para quem não tem diploma de ensino superior. E o MEC informa que é proibido usar a bolsa e, ao mesmo tempo, estar matriculado em instituição pública e gratuita de ensino superior. Também não pode acumular duas bolsas do Prouni.

Como é a seleção

O processo é feito pelo Acesso Único, o portal de inscrições do MEC, e funciona assim, segundo o MEC:

  1. Inscrição única, pela internet, sem taxa. Você escolhe até duas opções de curso, instituição e turno (manhã, tarde ou noite).
  2. Duas chamadas, uma depois da outra, e depois uma lista de espera (quem não foi chamado fica aguardando as vagas que sobrarem).
  3. Documentos. Quem é pré-selecionado (quem passa na primeira etapa) precisa comprovar o que informou na inscrição, no prazo do edital (o documento oficial com as regras e as datas de cada seleção). A faculdade confere as informações, e a lei diz que o candidato responde pela veracidade do que declarou.
  4. Formação de turma. O MEC avisa que a bolsa só sai se a turma for formada. Algumas instituições têm ainda um processo seletivo próprio, sem cobrar taxa.

A pré-seleção é feita pela nota do Enem. Na classificação, o MEC segue esta ordem de prioridade:

  1. professores da rede pública (cursos de formação de professores);
  2. quem fez o ensino médio em escola pública;
  3. quem fez o ensino médio em parte pública e em parte particular, como bolsista integral;
  4. quem fez o ensino médio em parte pública e em parte particular, como bolsista parcial ou sem bolsa;
  5. quem fez o ensino médio completo em escola particular, como bolsista integral;
  6. quem fez o ensino médio completo em escola particular, como bolsista parcial ou sem bolsa.

Segundo o MEC, em caso de empate, ganha quem tiver a maior nota em redação. Depois vêm linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas, nessa ordem.

O Prouni tem cotas

Tem. Segundo o MEC, pessoas com deficiência e pessoas autodeclaradas indígenas, pretas ou pardas podem optar por concorrer às vagas de ação afirmativa (vagas reservadas a grupos com menos acesso à faculdade). A lei também lista os estudantes que vêm de serviços de acolhimento institucional ou familiar (quem viveu em abrigo ou em família acolhedora).

Segundo a lei, o percentual dessas bolsas é, no mínimo, igual ao percentual de pessoas autodeclaradas indígenas, pardas ou pretas e de pessoas com deficiência no seu estado, segundo o último censo do IBGE (o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que faz a contagem da população). Ou seja, o tamanho da cota muda de um estado para outro.

Bolsa Permanência: ajuda para quem tem bolsa integral

Quem ganha bolsa integral e estuda em curso de horário integral pode ter direito ao Bolsa Permanência do Prouni, segundo o MEC. É uma ajuda de R$ 700 por mês, para gastos da vida de estudante. O requisito de renda é o mesmo da bolsa integral, até 1,5 salário mínimo por pessoa.

Segundo o MEC, quem tem bolsa parcial de 50% pode usar o Fies (o Fundo de Financiamento Estudantil, um empréstimo do governo para pagar a faculdade) para pagar a outra metade da mensalidade, se a instituição oferecer e a pessoa for aprovada. Se a sua família também recebe ajuda do governo, veja quem tem direito ao Bolsa Família para entender como outro programa conta a renda por pessoa. As regras do Prouni são as do edital, não as do Bolsa Família.

Como me inscrever e quando

A inscrição é feita pela internet, no portal Acesso Único, na página do Prouni. O MEC informa que o programa tem seleção duas vezes por ano, mas as datas de inscrição mudam a cada edição e saem no edital. Por isso, este guia não fixa nenhuma data: antes de se inscrever, confira o calendário atual na página oficial. O telefone de apoio do MEC, segundo a página do programa, é o 0800 616161.

Antes de começar, separe:

  • o resultado do Enem que você vai usar;
  • a renda de cada pessoa da sua família, para fazer a conta por pessoa;
  • as informações da escola em que você estudou o ensino médio.

Os documentos que você vai precisar apresentar depois, se for pré-selecionado, estão no edital. O MEC não lista todos na página de perguntas frequentes, e a faculdade pode pedir mais algum, se precisar.

Dúvidas comuns

Preciso pagar para me inscrever? Segundo o MEC, não. A inscrição é gratuita e só pela internet.

Posso escolher qualquer curso? Não. Segundo o MEC, você escolhe entre as vagas ofertadas na edição, até duas opções.

Passar na seleção significa ter a bolsa? Segundo o MEC, ainda não, porque a bolsa depende da formação de turma e da confirmação dos documentos.

E se eu não tiver estudado em escola pública? Ainda pode concorrer, se tiver sido bolsista integral na escola particular ou se tiver deficiência, por exemplo. Veja a lista da seção “Escola e outros perfis”.

Confirme no canal oficial

Este artigo explica as regras com base nas fontes oficiais citadas, mas quem decide o seu caso é o órgão responsável. Antes de tomar qualquer decisão, confirme:

Em resumo

Segundo o MEC, o Prouni dá bolsa de 100% ou de 50% em faculdade particular para quem não tem diploma, fez o Enem com pelo menos 450 pontos na média e redação acima de zero, e tem renda de até 1,5 (integral) ou 3 (parcial) salários mínimos por pessoa. A inscrição é grátis e pela internet, no Acesso Único. As datas mudam a cada edição: confira sempre o edital na página oficial antes de se inscrever.


Fontes consultadas em 2 de outubro de 2026:

Os valores em reais deste artigo (R$ 2.431,50 e R$ 4.863,00) foram calculados a partir do salário mínimo do decreto acima, não constam do MEC. As regras, os limites e as datas podem ser alterados pelo governo. Em caso de dúvida, confira nos canais oficiais antes de tomar qualquer decisão.

Jefferson Luiz é o editor do Cidadão Descomplicado. Todos os artigos são escritos a partir de fontes oficiais e revisados antes da publicação. Veja a política editorial.