Fies: como funciona o financiamento estudantil
O Fies financia faculdade particular com juros zero para quem tem renda de até 3 salários mínimos por pessoa. Veja quem pode, como se inscrever e como se paga.
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O Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) é um empréstimo do governo para pagar faculdade particular. Segundo o Ministério da Educação (MEC), pode se inscrever quem fez o Enem desde 2010, tirou média de 450 pontos ou mais nas cinco provas, não zerou a redação e tem renda familiar de até 3 salários mínimos por pessoa. Para essas famílias, o MEC informa que a taxa real de juros é zero. Durante o curso você paga uma parte da mensalidade, e o restante da dívida só começa a ser pago depois da formatura, de acordo com a sua renda. A inscrição é pela internet, com a conta gov.br.
Este artigo foi feito a partir da página de dúvidas sobre o Fies do Portal Único de Acesso ao Ensino Superior, da página do P-Fies e de uma notícia da Agência Brasil. Os links completos estão no fim do texto.
O que é o Fies
Segundo o MEC, o Fies foi criado pela Lei nº 10.260, de 12 de julho de 2001. Ele financia cursos superiores não gratuitos, ou seja, de faculdades particulares, desde que o curso tenha avaliação positiva no Sinaes, o sistema com o qual o MEC avalia a educação superior.
Financiar quer dizer que o governo paga a mensalidade à faculdade e você devolve o valor depois, em condições mais leves do que as de um empréstimo comum. É diferente de bolsa: na bolsa, como a do Prouni, você não devolve nada. No Fies, você devolve.
Quem pode se inscrever
Segundo a página de dúvidas do MEC, para se inscrever no processo seletivo do Fies é preciso cumprir todos estes pontos:
- ter feito o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) a partir da edição de 2010;
- ter tirado média igual ou superior a 450 pontos nas provas e nota maior que zero na redação;
- ter renda familiar mensal bruta (o total que entra na casa, antes dos descontos) de até 3 salários mínimos por pessoa;
- não ter feito o Enem como “treineiro”, que é quem faz a prova só para treinar.
Com o salário mínimo de 2026 em R$ 1.621 (Decreto nº 12.797), 3 salários mínimos são R$ 4.863. Esse valor foi calculado pelo blog a partir do decreto. Veja um exemplo: uma família de 4 pessoas com renda bruta de R$ 8.000 por mês tem R$ 2.000 por pessoa (R$ 8.000 dividido por 4). Isso está dentro do limite de R$ 4.863.
O MEC também informa uma regra de renda mínima: a família precisa comprovar renda mensal bruta de pelo menos um salário mínimo. Quem está no Fies Social, explicado abaixo, não precisa cumprir essa regra.
Quem não pode se inscrever
Segundo o MEC, não pode se inscrever quem:
- ainda não quitou um financiamento anterior do Fies ou do Creduc (um programa de crédito educativo que existia antes do Fies);
- está em período de uso de um financiamento do Fies;
- está com pendência na etapa de documentos de um processo seletivo anterior.
Quem já terminou uma faculdade pode se inscrever, segundo o MEC, se cumprir as regras do edital. Na classificação, tem prioridade quem ainda não concluiu o ensino superior e nunca teve financiamento estudantil.
Quanto o Fies paga do curso
O MEC explica que o percentual financiado depende da renda por pessoa da família, do valor da mensalidade e da nota que o curso recebeu na avaliação do MEC. Quanto maior a renda por pessoa, menor tende a ser a parte financiada. Segundo o MEC, nos contratos feitos a partir do segundo semestre de 2018, o mínimo financiado é de 50% da mensalidade.
Fies Social
O Fies Social é para quem tem renda por pessoa de até meio salário mínimo e está no Cadastro Único (o CadÚnico, o registro do governo das famílias de baixa renda; veja como fazer o Cadastro Único). Segundo o MEC, quem é pré-selecionado nessa modalidade pode ter até 100% da mensalidade financiada, dentro dos valores definidos pelo Comitê Gestor do Fies.
Meio salário mínimo é R$ 810,50 (cálculo do blog). Exemplo: uma família de 4 pessoas com renda de R$ 3.000 tem R$ 750 por pessoa, abaixo desse valor.
Juros e como se paga
Aqui está o ponto que mais pesa na decisão. Segundo o MEC, o pagamento tem duas fases.
Durante o curso. Você paga todo mês a “coparticipação”, que é a parte da mensalidade que o Fies não financia, diretamente ao banco que cuida do contrato (o agente financeiro). O MEC informa também que o estudante paga o encargo operacional fixado em contrato e o seguro de vida, que é obrigatório. Você escolhe a seguradora entre as habilitadas pelo programa.
Depois da formatura. O MEC informa que o pagamento do saldo devedor, a parte da dívida que ainda falta pagar, começa no primeiro mês depois de concluir o curso, se você tiver renda. A parcela é descontada na fonte, ou seja, tirada do salário, e varia de acordo com a renda. Se você não tiver renda, paga apenas o pagamento mínimo. O MEC estima que o financiamento seja quitado em cerca de 14 anos. É uma estimativa, não um prazo garantido.
Sobre os juros, o MEC escreve em uma resposta que, para quem tem renda de até 3 salários mínimos por pessoa, a “taxa real zero de juros” vale, e em outra que a taxa efetiva é “juros zero”. As duas respostas estão na mesma página. O MEC não diz, nessas respostas, se o saldo recebe correção pela inflação. Leia o seu contrato antes de assinar e tire a dúvida com o banco.
Se algo mudar na sua vida
- Perdeu o emprego ou desistiu do curso sem ter renda: segundo o MEC, o financiamento é quitado em prestações mensais iguais ao pagamento mínimo.
- Quer parar um tempo: o MEC informa que a utilização pode ser suspensa por até quatro semestres seguidos, mediante pedido e validação da comissão da faculdade.
- Morte ou invalidez permanente do estudante: segundo o MEC, o saldo devedor é coberto pelo seguro contratado.
- A renda da família mudou durante o curso: o MEC diz que o financiamento segue nas condições contratadas no início.
Como se inscrever, passo a passo
- Tenha uma conta gov.br. Segundo o MEC, a inscrição é feita só pela internet, no sistema FiesSeleção, com login pela conta gov.br. Veja como criar a conta gov.br.
- Reúna os dados da família. O MEC pede um e-mail pessoal válido, o nome de cada pessoa do grupo familiar, a data de nascimento e a renda bruta de cada uma. Quem tem 14 anos ou mais precisa informar o CPF. O MEC define grupo familiar como as pessoas que moram na mesma casa e contribuem para a renda ou têm despesas pagas por ela.
- Escolha o curso. A Agência Brasil informou, sobre a edição de vagas remanescentes de 2026/2, que o candidato escolhe até três opções de curso, faculdade e turno entre as vagas oferecidas.
- Acompanhe a nota de corte. Segundo o MEC, ela mostra a menor nota entre os selecionados naquele grupo, mas é só uma referência e não garante a vaga. Você pode mudar a inscrição quantas vezes quiser durante o período de inscrições, e vale a última confirmada.
- Veja o resultado. O MEC informa que o resultado sai no FiesSeleção e na faculdade. Quem fica de fora da chamada única entra na lista de espera e precisa acompanhar o site, porque não há nova classificação.
A classificação é pela nota do Enem, da maior para a menor. Se houver empate, o MEC desempata pela nota da redação, depois pelas notas de linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas, nessa ordem.
O que fazer depois de pré-selecionado
Ser pré-selecionado ainda não é ter o financiamento. Segundo o MEC, faltam três etapas:
- Complementar a inscrição no FiesSeleção, no prazo do edital. Quem sai da lista de espera tem 3 dias úteis.
- Ir à CPSA da faculdade em até 5 dias depois de complementar. A CPSA é a comissão da faculdade que confere os seus documentos e informações.
- Ir ao banco (agente financeiro) em até 10 dias, contados a partir do terceiro dia útil depois da validação da CPSA, com os documentos pedidos, para assinar o contrato.
Segundo o MEC, a faculdade não pode cobrar matrícula nem mensalidade de quem concluiu a inscrição ou foi pré-selecionado. Você paga apenas a parte da mensalidade que o financiamento não cobre. Apresentar documento falso reprova o candidato e, se descoberto depois, encerra o contrato.
Cuidado com golpe. O MEC avisa que não se responsabiliza por inscrição feita ou alterada por terceiros que obtiveram dados do candidato com engano ou em sites que não são do MEC. Faça a inscrição só no endereço oficial e não passe a senha da sua conta gov.br a ninguém.
Quando abrem as inscrições
Segundo o MEC, o Fies tem processo seletivo no primeiro e no segundo semestre de cada ano, e as datas ficam no edital daquela edição. O MEC também abre o processo das vagas remanescentes, as que não foram ocupadas. Segundo o MEC, as regras de nota e de renda são as mesmas, mas o candidato precisa ter condições de cumprir a frequência mínima do curso. Como as datas mudam a cada edital, confira sempre a página do Fies antes de planejar.
Fies e Prouni ao mesmo tempo
Segundo o MEC, o bolsista parcial do Prouni (que tem 50% de bolsa) pode usar o Fies para financiar a outra metade da mensalidade. O bolsista integral só pode ter o Fies se a bolsa for encerrada. Veja as regras da bolsa no guia do Prouni.
P-Fies: outro programa, com banco
Muita gente confunde o Fies com o P-Fies (Programa de Financiamento Estudantil). Segundo o site do P-Fies, ele é independente do Fies: não exige o Enem, não tem limite máximo de renda e pode ser pedido a qualquer momento. A diferença é que o contrato é feito direto com um banco parceiro, e as condições do financiamento são definidas entre o banco, a faculdade e o estudante, dentro dos critérios do Conselho Monetário Nacional. O site lista como parceiros o Banco da Amazônia, o Banco do Nordeste e a Pravaler. Como as condições variam, leia o contrato com cuidado.
Este artigo explica as regras com base nas fontes oficiais citadas, mas quem decide o seu caso é o órgão responsável. Antes de tomar qualquer decisão, confirme:
- Site: Fies no Portal Único de Acesso ao Ensino Superior, FiesSeleção, para se inscrever e P-Fies
- Telefone: 0800 616161, central de atendimento do Portal Único de Acesso ao Ensino Superior e do P-Fies (as fontes não informam o horário)
- Atendimento pela internet: Autoatendimento do Fies, para registrar dúvidas e problemas na inscrição
- Presencial: a CPSA da faculdade, depois da pré-seleção, e o banco responsável pelo contrato
Em resumo
Segundo o MEC, o Fies financia faculdade particular para quem fez o Enem desde 2010 com média de 450 e redação acima de zero, e tem renda de até 3 salários mínimos por pessoa. Você paga uma parte durante o curso e o resto depois de formado, conforme a renda. Antes de se inscrever, crie a conta gov.br e junte os dados da família. Se for pré-selecionado, cumpra cada prazo do edital e leia o contrato antes de assinar.
Fontes consultadas em 2 de outubro de 2026:
- Ministério da Educação, Portal Único de Acesso ao Ensino Superior: Dúvidas sobre o Fies
- Ministério da Educação: P-Fies
- Agência Brasil: Fies 2026/2: instituições de ensino podem ofertar vagas remanescentes, reportagem de Daniella Almeida, de 1º de outubro de 2026
- Presidência da República: Decreto nº 12.797, de 23 de dezembro de 2025, que fixou o salário mínimo em R$ 1.621,00 a partir de 1º de janeiro de 2026
A página de dúvidas do MEC não informa a data da última atualização, e parte das respostas cita normas de 2018. Por isso, o valor de 50% como mínimo financiado e as demais regras devem ser conferidos no edital da edição em que você for se inscrever. Os valores de R$ 4.863 e R$ 810,50 foram calculados a partir do salário mínimo do decreto acima.
As datas e os valores podem ser alterados pelo governo. Em caso de dúvida, confira nos canais oficiais antes de tomar qualquer decisão.
Jefferson Luiz é o editor do Cidadão Descomplicado. Todos os artigos são escritos a partir de fontes oficiais e revisados antes da publicação. Veja a política editorial.