Pé-de-Meia: quem recebe, quanto e como funciona
O Pé-de-Meia paga a estudantes do ensino médio público de famílias do Cadastro Único. Veja quem tem direito, os valores, a regra dos 80% e como consultar.
Neste artigo 10 tópicos
- O que é o Pé-de-Meia
- Quem tem direito ao Pé-de-Meia
- Quanto o estudante recebe
- Quando dá para sacar o dinheiro
- Como os pagamentos acontecem
- A regra dos 80% de frequência
- Como consultar e receber pelo Caixa Tem
- Por que a parcela pode não cair
- Reprovação, mudança de escola e como sair do programa
- Em resumo
O Pé-de-Meia é um programa do governo federal que paga dinheiro a estudantes do ensino médio de escola pública para que eles continuem estudando até se formar. Segundo o Ministério da Educação (MEC), tem direito quem tem entre 14 e 24 anos, faz parte de uma família inscrita no Cadastro Único (o registro do governo das famílias de baixa renda) com renda de até meio salário mínimo por pessoa, tem CPF regular e frequenta pelo menos 80% das aulas no mês. No ensino regular, o MEC informa parcelas de R$ 200 pela matrícula e pela frequência, R$ 1.000 a cada ano em que o aluno é aprovado e R$ 200 pelo Enem, até R$ 9.200 no total. A inscrição é automática, e o aluno acompanha tudo na página de consulta do programa.
Este artigo foi feito a partir das páginas do Pé-de-Meia no site do MEC (“Como funciona”, “Público”, “Canais de atendimento” e “Calendário de pagamentos”), das perguntas frequentes do programa e da página do programa no site da Caixa. Os links completos estão no fim do texto.
O que é o Pé-de-Meia
Segundo o MEC, é um programa de incentivo financeiro e educacional, na modalidade de poupança. Em português simples: o governo deposita dinheiro numa conta em nome do estudante, e uma parte dele fica guardada até a formatura. O objetivo, de acordo com o MEC, é apoiar a permanência e a conclusão dos estudos no ensino médio público. O MEC informa que o programa foi lançado em novembro de 2023.
A Caixa Econômica Federal, segundo o MEC, abre a conta e faz os pagamentos, e as escolas e redes de ensino (as secretarias de educação) enviam os dados dos alunos ao ministério.
O MEC também informa que a participação é automática: o estudante que cumpre os critérios não precisa fazer inscrição nem preencher formulário.
Quem tem direito ao Pé-de-Meia
Segundo a página “Público” do MEC, atualizada em 4 de agosto de 2026, para ter direito é preciso cumprir todos estes pontos:
- ser estudante do ensino médio das redes públicas, com entre 14 e 24 anos; ou ser estudante da educação de jovens e adultos (EJA), o ensino médio para quem não o fez na idade certa, também em rede pública, com entre 19 e 24 anos;
- fazer parte de uma família inscrita no Cadastro Único, com renda por pessoa de até meio salário mínimo;
- ter CPF regular (o número do cadastro de pessoa física, sem pendência na Receita Federal);
- ter frequência de pelo menos 80% nas aulas no mês.
Algumas explicações que o MEC dá nas perguntas frequentes:
- Escola particular não participa. Só vale o ensino médio de escola pública.
- Idade no ensino regular: o MEC diz que a idade conta completada até 31 de março de cada ano. Quem faz 25 anos durante os estudos continua recebendo até 31 de dezembro daquele ano e depois sai do programa. Na EJA, a idade conta até 31 de dezembro.
- CPF é obrigatório. Sem CPF, segundo o MEC, o estudante não consegue participar, porque o número é usado para conferir a renda no Cadastro Único e para abrir a conta. Para fazer ou regularizar o CPF, o caminho é a Receita Federal.
- O CPF do estudante precisa estar no Cadastro Único, na família dele.
Como entender a renda de meio salário mínimo por pessoa
Renda por pessoa (ou renda per capita) é o total que a família ganha no mês dividido pelo número de moradores. Em 2026, o salário mínimo é de R$ 1.621,00 (Decreto nº 12.797, de 2025), então meio salário mínimo dá R$ 810,50. Esse valor foi calculado por este artigo, porque as páginas do MEC não trazem a quantia em reais.
Um exemplo, só para ilustrar: uma família de 4 pessoas que ganha R$ 3.000 por mês tem R$ 3.000 ÷ 4 = R$ 750 por pessoa, abaixo de R$ 810,50. Quem confere de verdade é o MEC, com os dados do Cadastro Único.
Se a consulta do programa mostrar a mensagem “Renda per capita superior a meio salário-mínimo”, o MEC explica que, pelos dados do Cadastro Único, a renda da família ficou acima do limite. Se a situação da família mudou, o responsável deve procurar o CRAS (o posto da prefeitura que atende famílias de baixa renda) para atualizar o cadastro. Para entender o cadastro, veja o guia do Cadastro Único.
A matrícula tem um prazo. Segundo o MEC, os dados da escola e os do Cadastro Único precisam bater (o CPF, por exemplo, deve ser o mesmo nos dois). E a matrícula precisa ser feita em até dois meses depois do início das aulas de cada ano letivo para valer a parcela de matrícula.
Quanto o estudante recebe
Segundo o MEC e a Caixa, estes são os incentivos do ensino médio regular:
| Incentivo | Valor | Quando |
|---|---|---|
| Matrícula | R$ 200 | Uma vez por ano, se a matrícula for feita em até dois meses do início das aulas |
| Frequência | R$ 200 por parcela, até 9 parcelas (R$ 1.800 por ano) | Todo mês em que o aluno frequenta pelo menos 80% das aulas |
| Conclusão (aprovação) | R$ 1.000 por ano | Quando o aluno é aprovado na série, até R$ 3.000 no total |
| Enem | R$ 200 | Uma vez, para quem está no último ano e faz os dois dias de prova |
O Enem é o Exame Nacional do Ensino Médio, a prova que dá acesso a faculdades e a programas como o Prouni.
A conta dos R$ 9.200
O MEC informa que os valores chegam a R$ 9.200 por aluno. Com os números das páginas oficiais, a conta fecha assim para quem recebe tudo nos três anos: matrícula (R$ 200) mais nove parcelas de frequência (R$ 1.800) dão R$ 2.000 por ano, ou R$ 6.000 em três anos. Somam-se R$ 3.000 de conclusão (R$ 1.000 por ano) e R$ 200 do Enem: R$ 6.000 + R$ 3.000 + R$ 200 = R$ 9.200.
É o valor máximo. Para receber tudo, de acordo com o MEC, o estudante precisa se matricular a cada ano, manter a frequência mínima de 80%, ser aprovado, participar das avaliações oficiais (como o Saeb, uma avaliação nacional da educação básica, ou as provas do estado) e, no último ano, fazer os dois dias do Enem.
Valores na educação de jovens e adultos (EJA)
Segundo o MEC, quem estuda na EJA recebe:
- R$ 200 pela matrícula (uma vez por ano, se feita em até dois meses do início do período letivo);
- parcelas de R$ 225 pela frequência, até quatro por semestre, com frequência mínima de 80%. O MEC informa que esses pagamentos terminam se o estudante for aprovado no Encceja (exame nacional para certificar o ensino médio de jovens e adultos);
- R$ 1.000 a cada etapa concluída, até R$ 3.000;
- R$ 200 pelo Enem, para quem está na última etapa e faz os dois dias de prova.
Quando dá para sacar o dinheiro
O MEC separa o dinheiro em dois grupos:
- Matrícula e frequência: o MEC informa que podem ser sacadas a qualquer momento.
- Conclusão e Enem: só podem ser sacados depois que o aluno conclui o ensino médio. Até lá, o MEC diz que os R$ 1.000 de cada ano ficam aplicados na poupança, e o estudante pode escolher mantê-los ali ou investir no Tesouro Selic (um investimento do governo federal).
O MEC diz ainda que o estudante pode usar o dinheiro como achar melhor e mais necessário.
Como os pagamentos acontecem
Segundo a página “Como funciona” do MEC, atualizada em 5 de julho de 2026, a escola envia a matrícula (no começo do ano) e a frequência (todo mês) à rede de ensino, e esta envia ao MEC. O ministério cruza os dados com os do Cadastro Único e, se estiver tudo certo, manda a lista à Caixa, que deposita as parcelas. O MEC avisa que esses dados são atualizados uma vez por mês. Por isso, quem corrigiu algum cadastro precisa esperar a próxima janela de pagamento para ver o resultado.
As datas de pagamento
Segundo o calendário de 2026 do MEC, os pagamentos mensais acontecem em intervalos de cerca de uma semana por mês, e a parcela pode ser depositada em qualquer dia do intervalo, conforme as redes de ensino repassam os dados. O MEC informa que, em 2026, a parcela de aprovação e a do Enem têm a primeira oportunidade de pagamento entre 22 de fevereiro e 1º de março de 2027. O calendário completo está na página do MEC.
A regra dos 80% de frequência
Segundo o MEC, o estudante deve frequentar pelo menos 80% das aulas em cada mês para receber a parcela de frequência. A página “Como funciona” diz que, se a frequência ficar abaixo de 80%, o pagamento das parcelas pode ser bloqueado, e que para voltar a receber é só frequentar as aulas e acumular a presença mínima.
O MEC explica duas medidas que aparecem na consulta:
- Frequência mensal: a presença registrada em cada mês de aula.
- Frequência acumulada (ou média): a média das presenças ao longo de todo o período letivo.
Segundo as perguntas frequentes, se o aluno ficou abaixo de 80% num mês, aquela parcela fica retida. Quando a frequência volta a ser de 80% ou mais, ele recebe o valor bloqueado. Mas atenção: o MEC diz que parcelas bloqueadas por falta de frequência só podem ser pagas nos meses seguintes do mesmo ano letivo. Se o ano terminar com parcelas bloqueadas, elas não são recuperadas no ano seguinte.
Sobre faltas, o MEC orienta entregar o atestado na secretaria da escola, para a frequência ser atualizada. Se a rede de ensino reconhecer uma greve e os dias não forem letivos, as faltas não contam. E, se a presença foi enviada errada, a escola é quem corrige.
Como consultar e receber pelo Caixa Tem
A página de consulta
Segundo o MEC, o estudante acessa a Consulta Pé-de-Meia com a conta gov.br (CPF e senha), pelo celular, tablet ou computador. Se ainda não tem a conta, veja como criar a conta gov.br. Lá aparecem, segundo o MEC:
- os dados pessoais cadastrados;
- a frequência escolar;
- a situação e as datas de pagamento das parcelas;
- o histórico de matrículas;
- a data de entrada no programa e a última atualização dos dados.
A página é atualizada todo mês, depois que as redes de ensino enviam os dados.
A conta no Caixa Tem
Segundo o MEC, a Caixa abre a conta assim que confirma que o estudante tem direito. O pagamento é feito só pelo aplicativo Caixa Tem. O app deve ser acessado com o CPF do estudante. No aplicativo, o MEC informa que é possível pedir o cartão físico do Pé-de-Meia, ver o histórico de pagamentos e fazer o dia a dia da conta, como receber e enviar Pix, pagar contas e recarregar o celular.
Quem tem menos de 18 anos precisa de autorização:
- Pai ou mãe: autorizam o uso da conta pelo próprio aplicativo, informando o CPF do estudante. Depois disso, o estudante cadastra a senha.
- Outro responsável legal: segundo o MEC, a autorização é feita pessoalmente, numa agência da Caixa.
- Estudante com 18 anos ou mais: acessa o aplicativo com o CPF e cadastra a senha.
Por que a parcela pode não cair
O MEC explica que, nesse caminho dos dados, alguma coisa pode dar errado. Veja onde cada problema costuma estar e a quem recorrer, segundo o MEC:
| Problema | Onde resolver |
|---|---|
| Nome, data de nascimento ou série errados na consulta | Secretaria da escola |
| Dados da escola diferentes dos do Cadastro Único | Escola, e CRAS se o erro estiver no cadastro |
| Renda acima de meio salário mínimo por pessoa | CRAS, se a situação da família mudou |
| CPF irregular | Receita Federal |
| Pendência na conta bancária | Canais da Caixa ou, de preferência, uma agência |
| Frequência abaixo de 80% | Frequentar as aulas; erro de registro, escola |
| Trocou de escola e não recebe | Escola atual, para confirmar o envio dos dados |
Depois de qualquer correção, o MEC pede para esperar a próxima janela de pagamentos, porque os dados são atualizados uma vez por mês.
Reprovação, mudança de escola e como sair do programa
Segundo as perguntas frequentes do MEC:
- Reprovação: o estudante não recebe os R$ 1.000 daquele ano, mas pode continuar no programa e receber as parcelas mensais no ano seguinte, se cumprir as regras de matrícula e frequência. Com duas reprovações seguidas, o MEC informa que o estudante sai do programa.
- Matrícula depois do prazo: quem se matricula depois de dois meses do início das aulas não recebe a parcela de matrícula, mas pode receber as demais. O MEC diz que não há pagamento retroativo dos meses anteriores.
- Desistir do incentivo: quem tem direito e não quer participar deve pedir o desligamento voluntário na escola. Menor de 18 anos precisa da declaração assinada pelo responsável legal.
Este artigo explica as regras com base nas fontes oficiais citadas, mas quem decide o seu caso é o órgão responsável. Antes de tomar qualquer decisão, confirme:
- Site: Pé-de-Meia, no site do MEC e Consulta Pé-de-Meia
- Aplicativo: Caixa Tem
- Telefone: MEC, 0800 616161; Caixa, Alô Caixa 4004 0 104 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800 104 0 104 (demais regiões), segundo a página de canais do MEC
- Presencial: secretaria da escola, para dados e frequência; CRAS, para o Cadastro Único; agência da Caixa, para pendência na conta
Dúvidas e pendências, só pelos canais oficiais. A página do programa no site da Caixa informa que o atendimento para dúvidas ou para verificar pendências é feito exclusivamente pelos canais oficiais do MEC, pelo telefone 0800 616161. Não passe CPF, senha do gov.br ou do Caixa Tem para quem oferecer ajuda por mensagem.
Em resumo
Segundo o MEC, o Pé-de-Meia paga a estudantes de 14 a 24 anos do ensino médio público, de famílias do Cadastro Único com renda de até meio salário mínimo por pessoa, e exige CPF regular e 80% de frequência no mês. No ensino regular, são R$ 200 de matrícula, até nove parcelas de R$ 200 de frequência, R$ 1.000 por ano de aprovação e R$ 200 do Enem, até R$ 9.200. O que fica na poupança só sai depois da formatura. Para acompanhar, use a Consulta Pé-de-Meia com a conta gov.br e o aplicativo Caixa Tem. Dados errados se corrigem na escola, no CRAS ou na Receita Federal, e o resultado aparece na janela de pagamentos seguinte.
Fontes consultadas em 2 de outubro de 2026:
- Ministério da Educação: Pé-de-Meia, página sem data de atualização informada
- Ministério da Educação: Como funciona, atualizada em 5 de julho de 2026
- Ministério da Educação: Público, atualizada em 4 de agosto de 2026
- Ministério da Educação: Calendário de pagamentos 2026, sem data de atualização informada
- Ministério da Educação: Canais de atendimento, atualizada em 12 de dezembro de 2025
- Ministério da Educação: Perguntas frequentes do Pé-de-Meia, seção “Sou estudante do ensino médio”, atualizada em 7 de abril de 2026
- Caixa Econômica Federal: Programa Pé-de-Meia, conferida pelo resumo do resultado de busca, porque o site da Caixa recusa leitura automática
- Presidência da República: Decreto nº 12.797, de 23 de dezembro de 2025, que fixou o salário mínimo em R$ 1.621,00 a partir de 1º de janeiro de 2026
As páginas do MEC não informam o valor de meio salário mínimo em reais. O valor de R$ 810,50 foi calculado a partir do salário mínimo do decreto acima. A regra de bloqueio por frequência aparece de duas formas nas perguntas frequentes do MEC: numa resposta, a parcela fica retida quando a frequência mensal cai abaixo de 80%; em outra, o bloqueio ocorre quando a frequência mensal e a média do período letivo estão ambas abaixo de 80%. Este artigo segue a página “Como funciona” e orienta a conferir as duas medidas na consulta do programa.
As datas e os valores podem ser alterados pelo governo. Em caso de dúvida, confira nos canais oficiais antes de tomar qualquer decisão.
Jefferson Luiz é o editor do Cidadão Descomplicado. Todos os artigos são escritos a partir de fontes oficiais e revisados antes da publicação. Veja a política editorial.