O tradutor do sistema para quem está fora dele
Benefícios Sociais

Pé-de-Meia: quem recebe, quanto e como funciona

O Pé-de-Meia paga a estudantes do ensino médio público de famílias do Cadastro Único. Veja quem tem direito, os valores, a regra dos 80% e como consultar.

Ilustração de um estudante de moletom azul e mochila verde sentado em degraus, olhando o celular, com um cofrinho amarelo e um capelo de formatura ao lado e uma escola ao fundo
Por Jefferson Luiz Publicado em
Neste artigo 10 tópicos
  1. O que é o Pé-de-Meia
  2. Quem tem direito ao Pé-de-Meia
  3. Quanto o estudante recebe
  4. Quando dá para sacar o dinheiro
  5. Como os pagamentos acontecem
  6. A regra dos 80% de frequência
  7. Como consultar e receber pelo Caixa Tem
  8. Por que a parcela pode não cair
  9. Reprovação, mudança de escola e como sair do programa
  10. Em resumo
Resposta rápida

O Pé-de-Meia é um programa do governo federal que paga dinheiro a estudantes do ensino médio de escola pública para que eles continuem estudando até se formar. Segundo o Ministério da Educação (MEC), tem direito quem tem entre 14 e 24 anos, faz parte de uma família inscrita no Cadastro Único (o registro do governo das famílias de baixa renda) com renda de até meio salário mínimo por pessoa, tem CPF regular e frequenta pelo menos 80% das aulas no mês. No ensino regular, o MEC informa parcelas de R$ 200 pela matrícula e pela frequência, R$ 1.000 a cada ano em que o aluno é aprovado e R$ 200 pelo Enem, até R$ 9.200 no total. A inscrição é automática, e o aluno acompanha tudo na página de consulta do programa.

Este artigo foi feito a partir das páginas do Pé-de-Meia no site do MEC (“Como funciona”, “Público”, “Canais de atendimento” e “Calendário de pagamentos”), das perguntas frequentes do programa e da página do programa no site da Caixa. Os links completos estão no fim do texto.

O que é o Pé-de-Meia

Segundo o MEC, é um programa de incentivo financeiro e educacional, na modalidade de poupança. Em português simples: o governo deposita dinheiro numa conta em nome do estudante, e uma parte dele fica guardada até a formatura. O objetivo, de acordo com o MEC, é apoiar a permanência e a conclusão dos estudos no ensino médio público. O MEC informa que o programa foi lançado em novembro de 2023.

A Caixa Econômica Federal, segundo o MEC, abre a conta e faz os pagamentos, e as escolas e redes de ensino (as secretarias de educação) enviam os dados dos alunos ao ministério.

O MEC também informa que a participação é automática: o estudante que cumpre os critérios não precisa fazer inscrição nem preencher formulário.

Quem tem direito ao Pé-de-Meia

Segundo a página “Público” do MEC, atualizada em 4 de agosto de 2026, para ter direito é preciso cumprir todos estes pontos:

  • ser estudante do ensino médio das redes públicas, com entre 14 e 24 anos; ou ser estudante da educação de jovens e adultos (EJA), o ensino médio para quem não o fez na idade certa, também em rede pública, com entre 19 e 24 anos;
  • fazer parte de uma família inscrita no Cadastro Único, com renda por pessoa de até meio salário mínimo;
  • ter CPF regular (o número do cadastro de pessoa física, sem pendência na Receita Federal);
  • ter frequência de pelo menos 80% nas aulas no mês.

Algumas explicações que o MEC dá nas perguntas frequentes:

  • Escola particular não participa. Só vale o ensino médio de escola pública.
  • Idade no ensino regular: o MEC diz que a idade conta completada até 31 de março de cada ano. Quem faz 25 anos durante os estudos continua recebendo até 31 de dezembro daquele ano e depois sai do programa. Na EJA, a idade conta até 31 de dezembro.
  • CPF é obrigatório. Sem CPF, segundo o MEC, o estudante não consegue participar, porque o número é usado para conferir a renda no Cadastro Único e para abrir a conta. Para fazer ou regularizar o CPF, o caminho é a Receita Federal.
  • O CPF do estudante precisa estar no Cadastro Único, na família dele.

Como entender a renda de meio salário mínimo por pessoa

Renda por pessoa (ou renda per capita) é o total que a família ganha no mês dividido pelo número de moradores. Em 2026, o salário mínimo é de R$ 1.621,00 (Decreto nº 12.797, de 2025), então meio salário mínimo dá R$ 810,50. Esse valor foi calculado por este artigo, porque as páginas do MEC não trazem a quantia em reais.

Um exemplo, só para ilustrar: uma família de 4 pessoas que ganha R$ 3.000 por mês tem R$ 3.000 ÷ 4 = R$ 750 por pessoa, abaixo de R$ 810,50. Quem confere de verdade é o MEC, com os dados do Cadastro Único.

Se a consulta do programa mostrar a mensagem “Renda per capita superior a meio salário-mínimo”, o MEC explica que, pelos dados do Cadastro Único, a renda da família ficou acima do limite. Se a situação da família mudou, o responsável deve procurar o CRAS (o posto da prefeitura que atende famílias de baixa renda) para atualizar o cadastro. Para entender o cadastro, veja o guia do Cadastro Único.

A matrícula tem um prazo. Segundo o MEC, os dados da escola e os do Cadastro Único precisam bater (o CPF, por exemplo, deve ser o mesmo nos dois). E a matrícula precisa ser feita em até dois meses depois do início das aulas de cada ano letivo para valer a parcela de matrícula.

Quanto o estudante recebe

Segundo o MEC e a Caixa, estes são os incentivos do ensino médio regular:

Incentivo Valor Quando
Matrícula R$ 200 Uma vez por ano, se a matrícula for feita em até dois meses do início das aulas
Frequência R$ 200 por parcela, até 9 parcelas (R$ 1.800 por ano) Todo mês em que o aluno frequenta pelo menos 80% das aulas
Conclusão (aprovação) R$ 1.000 por ano Quando o aluno é aprovado na série, até R$ 3.000 no total
Enem R$ 200 Uma vez, para quem está no último ano e faz os dois dias de prova

O Enem é o Exame Nacional do Ensino Médio, a prova que dá acesso a faculdades e a programas como o Prouni.

A conta dos R$ 9.200

O MEC informa que os valores chegam a R$ 9.200 por aluno. Com os números das páginas oficiais, a conta fecha assim para quem recebe tudo nos três anos: matrícula (R$ 200) mais nove parcelas de frequência (R$ 1.800) dão R$ 2.000 por ano, ou R$ 6.000 em três anos. Somam-se R$ 3.000 de conclusão (R$ 1.000 por ano) e R$ 200 do Enem: R$ 6.000 + R$ 3.000 + R$ 200 = R$ 9.200.

É o valor máximo. Para receber tudo, de acordo com o MEC, o estudante precisa se matricular a cada ano, manter a frequência mínima de 80%, ser aprovado, participar das avaliações oficiais (como o Saeb, uma avaliação nacional da educação básica, ou as provas do estado) e, no último ano, fazer os dois dias do Enem.

Valores na educação de jovens e adultos (EJA)

Segundo o MEC, quem estuda na EJA recebe:

  • R$ 200 pela matrícula (uma vez por ano, se feita em até dois meses do início do período letivo);
  • parcelas de R$ 225 pela frequência, até quatro por semestre, com frequência mínima de 80%. O MEC informa que esses pagamentos terminam se o estudante for aprovado no Encceja (exame nacional para certificar o ensino médio de jovens e adultos);
  • R$ 1.000 a cada etapa concluída, até R$ 3.000;
  • R$ 200 pelo Enem, para quem está na última etapa e faz os dois dias de prova.

Quando dá para sacar o dinheiro

O MEC separa o dinheiro em dois grupos:

  • Matrícula e frequência: o MEC informa que podem ser sacadas a qualquer momento.
  • Conclusão e Enem: só podem ser sacados depois que o aluno conclui o ensino médio. Até lá, o MEC diz que os R$ 1.000 de cada ano ficam aplicados na poupança, e o estudante pode escolher mantê-los ali ou investir no Tesouro Selic (um investimento do governo federal).

O MEC diz ainda que o estudante pode usar o dinheiro como achar melhor e mais necessário.

Como os pagamentos acontecem

Segundo a página “Como funciona” do MEC, atualizada em 5 de julho de 2026, a escola envia a matrícula (no começo do ano) e a frequência (todo mês) à rede de ensino, e esta envia ao MEC. O ministério cruza os dados com os do Cadastro Único e, se estiver tudo certo, manda a lista à Caixa, que deposita as parcelas. O MEC avisa que esses dados são atualizados uma vez por mês. Por isso, quem corrigiu algum cadastro precisa esperar a próxima janela de pagamento para ver o resultado.

As datas de pagamento

Segundo o calendário de 2026 do MEC, os pagamentos mensais acontecem em intervalos de cerca de uma semana por mês, e a parcela pode ser depositada em qualquer dia do intervalo, conforme as redes de ensino repassam os dados. O MEC informa que, em 2026, a parcela de aprovação e a do Enem têm a primeira oportunidade de pagamento entre 22 de fevereiro e 1º de março de 2027. O calendário completo está na página do MEC.

A regra dos 80% de frequência

Segundo o MEC, o estudante deve frequentar pelo menos 80% das aulas em cada mês para receber a parcela de frequência. A página “Como funciona” diz que, se a frequência ficar abaixo de 80%, o pagamento das parcelas pode ser bloqueado, e que para voltar a receber é só frequentar as aulas e acumular a presença mínima.

O MEC explica duas medidas que aparecem na consulta:

  • Frequência mensal: a presença registrada em cada mês de aula.
  • Frequência acumulada (ou média): a média das presenças ao longo de todo o período letivo.

Segundo as perguntas frequentes, se o aluno ficou abaixo de 80% num mês, aquela parcela fica retida. Quando a frequência volta a ser de 80% ou mais, ele recebe o valor bloqueado. Mas atenção: o MEC diz que parcelas bloqueadas por falta de frequência só podem ser pagas nos meses seguintes do mesmo ano letivo. Se o ano terminar com parcelas bloqueadas, elas não são recuperadas no ano seguinte.

Sobre faltas, o MEC orienta entregar o atestado na secretaria da escola, para a frequência ser atualizada. Se a rede de ensino reconhecer uma greve e os dias não forem letivos, as faltas não contam. E, se a presença foi enviada errada, a escola é quem corrige.

Como consultar e receber pelo Caixa Tem

A página de consulta

Segundo o MEC, o estudante acessa a Consulta Pé-de-Meia com a conta gov.br (CPF e senha), pelo celular, tablet ou computador. Se ainda não tem a conta, veja como criar a conta gov.br. Lá aparecem, segundo o MEC:

  • os dados pessoais cadastrados;
  • a frequência escolar;
  • a situação e as datas de pagamento das parcelas;
  • o histórico de matrículas;
  • a data de entrada no programa e a última atualização dos dados.

A página é atualizada todo mês, depois que as redes de ensino enviam os dados.

A conta no Caixa Tem

Segundo o MEC, a Caixa abre a conta assim que confirma que o estudante tem direito. O pagamento é feito só pelo aplicativo Caixa Tem. O app deve ser acessado com o CPF do estudante. No aplicativo, o MEC informa que é possível pedir o cartão físico do Pé-de-Meia, ver o histórico de pagamentos e fazer o dia a dia da conta, como receber e enviar Pix, pagar contas e recarregar o celular.

Quem tem menos de 18 anos precisa de autorização:

  • Pai ou mãe: autorizam o uso da conta pelo próprio aplicativo, informando o CPF do estudante. Depois disso, o estudante cadastra a senha.
  • Outro responsável legal: segundo o MEC, a autorização é feita pessoalmente, numa agência da Caixa.
  • Estudante com 18 anos ou mais: acessa o aplicativo com o CPF e cadastra a senha.

Por que a parcela pode não cair

O MEC explica que, nesse caminho dos dados, alguma coisa pode dar errado. Veja onde cada problema costuma estar e a quem recorrer, segundo o MEC:

Problema Onde resolver
Nome, data de nascimento ou série errados na consulta Secretaria da escola
Dados da escola diferentes dos do Cadastro Único Escola, e CRAS se o erro estiver no cadastro
Renda acima de meio salário mínimo por pessoa CRAS, se a situação da família mudou
CPF irregular Receita Federal
Pendência na conta bancária Canais da Caixa ou, de preferência, uma agência
Frequência abaixo de 80% Frequentar as aulas; erro de registro, escola
Trocou de escola e não recebe Escola atual, para confirmar o envio dos dados

Depois de qualquer correção, o MEC pede para esperar a próxima janela de pagamentos, porque os dados são atualizados uma vez por mês.

Reprovação, mudança de escola e como sair do programa

Segundo as perguntas frequentes do MEC:

  • Reprovação: o estudante não recebe os R$ 1.000 daquele ano, mas pode continuar no programa e receber as parcelas mensais no ano seguinte, se cumprir as regras de matrícula e frequência. Com duas reprovações seguidas, o MEC informa que o estudante sai do programa.
  • Matrícula depois do prazo: quem se matricula depois de dois meses do início das aulas não recebe a parcela de matrícula, mas pode receber as demais. O MEC diz que não há pagamento retroativo dos meses anteriores.
  • Desistir do incentivo: quem tem direito e não quer participar deve pedir o desligamento voluntário na escola. Menor de 18 anos precisa da declaração assinada pelo responsável legal.
Confirme no canal oficial

Este artigo explica as regras com base nas fontes oficiais citadas, mas quem decide o seu caso é o órgão responsável. Antes de tomar qualquer decisão, confirme:

  • Site: Pé-de-Meia, no site do MEC e Consulta Pé-de-Meia
  • Aplicativo: Caixa Tem
  • Telefone: MEC, 0800 616161; Caixa, Alô Caixa 4004 0 104 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800 104 0 104 (demais regiões), segundo a página de canais do MEC
  • Presencial: secretaria da escola, para dados e frequência; CRAS, para o Cadastro Único; agência da Caixa, para pendência na conta

Dúvidas e pendências, só pelos canais oficiais. A página do programa no site da Caixa informa que o atendimento para dúvidas ou para verificar pendências é feito exclusivamente pelos canais oficiais do MEC, pelo telefone 0800 616161. Não passe CPF, senha do gov.br ou do Caixa Tem para quem oferecer ajuda por mensagem.

Em resumo

Segundo o MEC, o Pé-de-Meia paga a estudantes de 14 a 24 anos do ensino médio público, de famílias do Cadastro Único com renda de até meio salário mínimo por pessoa, e exige CPF regular e 80% de frequência no mês. No ensino regular, são R$ 200 de matrícula, até nove parcelas de R$ 200 de frequência, R$ 1.000 por ano de aprovação e R$ 200 do Enem, até R$ 9.200. O que fica na poupança só sai depois da formatura. Para acompanhar, use a Consulta Pé-de-Meia com a conta gov.br e o aplicativo Caixa Tem. Dados errados se corrigem na escola, no CRAS ou na Receita Federal, e o resultado aparece na janela de pagamentos seguinte.


Fontes consultadas em 2 de outubro de 2026:

As páginas do MEC não informam o valor de meio salário mínimo em reais. O valor de R$ 810,50 foi calculado a partir do salário mínimo do decreto acima. A regra de bloqueio por frequência aparece de duas formas nas perguntas frequentes do MEC: numa resposta, a parcela fica retida quando a frequência mensal cai abaixo de 80%; em outra, o bloqueio ocorre quando a frequência mensal e a média do período letivo estão ambas abaixo de 80%. Este artigo segue a página “Como funciona” e orienta a conferir as duas medidas na consulta do programa.

As datas e os valores podem ser alterados pelo governo. Em caso de dúvida, confira nos canais oficiais antes de tomar qualquer decisão.

Jefferson Luiz é o editor do Cidadão Descomplicado. Todos os artigos são escritos a partir de fontes oficiais e revisados antes da publicação. Veja a política editorial.